CIENTISTA DEPÕE NA CPI DA FOSFO E CRITICA TESTES


 

A CPI da Fosfo teve continuidade na tarde de quarta-feira, 22/11, em sua terceira sessão, no auditório Teotônio Vilela, na Assembleia Legislativa de São Paulo. para depor, foi convocado o cientista e imunologista Durvanei Augusto Maria, que pesquisa a Fosfoetanolamina há cerca de dez anos no Instituto Butantã. Ele tem 11 trabalhos publicados em colaboração com o químico Gilberto Chierice, da Universidade de São Paulo (Instituto de Química de São Carlos – IQSC), que desenvolveu a síntese da substância no início dos anos 1990.

O deputado Ricardo Madalena (PR) é o relator da CPI da Fosfo e a presidência é do deputado Roberto Massafera (PSDB).

Os membros da CPI investigam se os testes clínicos, realizados em julho do ano passado e que seguiram até março deste ano no Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), para testar a eficácia da fosfoetanolamina sintética no tratamento do câncer, seguiram o protocolo e as normas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no sentido de apurar seu resultado.

Durante seu depoimento, Durvanei respondeu a perguntas do relator e dos deputados que compuseram a Mesa. O relator, deputado Ricardo Madalena, perguntou se o imunologista, um dos auditores dos testes no Icesp, havia identificado alguma irregularidade durante as reuniões. Durvanei disse ter sido uma grande surpresa, já na primeira reunião, ter constatado que a forma como seria administrada a fosfo aos pacientes pendia para que o resultado fosse negativo. Em seguida, sugeriu que o autor do protocolo fosse convocado pela CPI para expor os motivos que o levou a formatar o protocolo de maneira a que o resultado fosse contrário à administração da substância.

Durvanei também alertou para o fato do Icesp não ter feito a farmacocinética (estudo do destino dos fármacos no organismo após sua administração e que Abrange os processos de absorção, distribuição,  biotransformação e excreção) da Fosfo, o que deveria ser feito, segundo o imunologista, ainda na fase 1 dos testes. “O resultados dos testes revelados pela farmacocinética são a base os todos os demais testes. E ela (a farmacocinética) não foi feita”.

Outra informação importante trazida pelo imunologista e que já havia sido feita pela depoente na sessão anterior, a auditora no Icesp e psicóloga Bernadete Ciofi, é que os testes com a fosfoetanolamina deveriam ter sido feitos em 210 pacientes, divididos em grupo de dez, com diferentes tipos de tumores cancerígenos e em  várias etapas da doença. No entanto, os testes foram aplicados somente em 74 pacientes, sendo que não foram testados em vários tumores e em sua diversas fases.

A CPI, que teve início dia 31/10, tem um prazo de 90 dias para concluir os trabalhos, prorrogados por mais 45 se houver necessidade. As reuniões da CPI passarão a ser às quartas-feiras, sempre às 14h30, a partir da próxima semana.

Entre os convocados para depor na CPI estão o professor Gilberto Chierice, um dos estudiosos da pílula, e o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro Moreira.

Na próxima sessão, que se realizará dia 29/11, estão convocados o drs. Salvador Claro Neto e Roberto Jun Arai.

 

Em março deste ano, o Icesp suspendeu os estudos porque concluiu pela falta de comprovação da eficácia da fosfoetanolamina sintética no combate ao câncer. Segundo a pesquisa, de 72 pacientes com tumores sólidos avançados tratados com a pílula do câncer, apenas um obteve resposta parcial.

O relator da CPI, deputado Ricardo Madalena (PR), informou que a comissão vai investigar se os testes feitos no Icesp realmente cumpriram o protocolo da Anvisa. “Vamos apurar com muita responsabilidade e transparência se houve crime”. De acordo com o parlamentar, se forem constatadas falhas, os culpados serão responsabilizados. “Segundo consta, precisamos apurar se as recomendações do corpo clínico do professor Gilberto [Chierini] foram seguidas. E também se cumpriram o protocolo que é norma da Anvisa.”

Na mesma linha segue o presidente da CPI, Roberto Massafera: “Os auditores que participaram [dos testes clínicos] apontaram várias falhas, e essas falhas não foram corrigidas. Para se ter a dosagem ideal de um produto, que ainda não é medicamento, é preciso fazer um teste chamado fármaco-dinâmico. E isso não foi feito”, disse o deputado. “Ao final dos trabalhos, a CPI tem a obrigação de investigar se o dinheiro que o Estado aportou para essa pesquisa foi bem utilizado. E vamos responsabilizar se não foi. E refazer o que não foi feito”, acrescentou o deputado.

A CPI é composta também pelos deputados Márcia Lia (PT), Ed Thomas (PSB), Cássio Navarro (PMDB), Sebastião Santos (PRB), Márcio Camargo (PSC), Rafael Silva (PDT) e Gileno Gomes (PSL).

 

Quem é o depoente?
Durvanei Augusto Maria possui Mestrado em Imunologia pela Universidade de São Paulo (1998), Doutorado em Imunologia pela Universidade de São Paulo (2002) e Doutorado / Doutorado-Sanduích pela Universidade de Paris VII Denis Diderot (2002). Atualmente é Pesquisador Científico VI do Laboratório de Bioquímica e Biofísica do Instituto Butantan. Tem experiência na área de Imunologia, Biologia Celular e Farmacologia, com ênfase em Imunologia de Tumores, atuando principalmente nos seguintes temas: carcinogênese química, marcadores tumorais,alterações celulares e ultraestruturais,resposta inflamatória, toxinas animais e metalo proteases, inibidores de crescimento e metastatização de tumores animais e humanos, melanoma, marcadores tumorais, cultura celular, célula tronco mesenquimais indiferenciadas, triagem de fármacos oncológicos e farmacologia experimental.

 

Histórico

Sintetizada há mais de 20 anos, a fosfoetanolamina foi estudada pelo professor aposentado Gilberto Orivaldo Chierice, quando ele era ligado ao Grupo de Química Analítica e Tecnologia de Polímeros da USP, no campus de São Carlos. Algumas pessoas passaram a usar as cápsulas contendo a substância, produzidas pelo próprio professor, como medicamento contra o câncer.

No Icesp, os testes foram feitos com base em orientações de Chierice, da sintetização e encapsulamento até a dosagem oferecida.

Em junho de 2014, uma portaria da USP determinou a obrigatoriedade de substâncias em fase experimental terem todos os registros antes de serem distribuídas à população.

Desde então, pacientes que tinham conhecimento das pesquisas passaram a recorrer à Justiça para ter acesso às pílulas. O Tribunal de Justiça (TJSP) de São Paulo chegou a receber centenas de pedidos de liminar para garantir o acesso à substância.

No dia 22 de março do ano passado, o Senado aprovou o projeto de lei que possibilita o uso da substância mesmo antes de a fosfoetanolamina ser registrada e regulamentada pela Anvisa.

No mesmo mês, a USP denunciou o professor Gilberto Chierice por crimes contra a saúde pública e curandeirismo. A universidade também fechou o laboratório onde eram produzidas as pílulas, já que o servidor técnico que produzia a pílula foi cedido à Secretaria Estadual de Saúde para auxiliar na produção da substância para testes sobre seu possível uso terapêutico.

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a interrupção do fornecimento da pílula do câncer pela USP, após o fim do estoque. A Corte analisou um pedido feito pela universidade USP contra uma decisão do TJSP que determinava o fornecimento da substância.

Com Agência Brasil

 

2 comentários em “CIENTISTA DEPÕE NA CPI DA FOSFO E CRITICA TESTES

  1. Mara Silvia Elias Pulcinelli disse:

    Boa tarde Deputado .
    Eu sou potadora de CA de pulmão estou com metastase ossea no quadril e osso iliaco . Também com pequenos pontos na cabeça . Fiz tudo que podia ( quimioterapia radioterapia . Comecei tratamento com comprimido via oral ( genifetibe) mas depois de seis meses ele perdeu a eficacia .
    Eu não podia fazer mais nada. Então minha medica pesquisou e encontrou o remedio que atingisse no total todas as áreas afetadas ….ótimo maravilha…. SQN .
    Tive que entrar na justiça pra conseguir o remédio porque ele custa R$ 38.000,00 isso mesmo . Meus amigos fizeram vaquinha pra pagar a advogada . Deu certo . Recebo o remedio e estou no terceiro mês. E o futuro ? Se ele falhar como o outro ? Por isso eu peço Deputado continue firme e libere o remédio. Obrigada .Mara S Elias.

  2. É evidente a demagogia. Ninguém, nem a CPI quer a fosfoetanolamina. É comprovada a negação da ciência e tecnologia no Brasil. As inteligências brasileiras tem que ser expressadas fora do Brasil. Mesmo assim são perseguidas e negadas. Brasil sem personalidade. Estamos nas mãos de ladrões e assassinos e genocidas. Não se pode confiar nem mesmo na PDT Pharma? Coitado do Chieriche.

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