CRIADOR DA PÍLULA DO CÂNCER DEPÕE NA CPI E AFIRMA QUE JAMAIS FOI CONSULTADO PELO ICESP SOBRE OS TESTES COM A SUBSTÂNCIA


 

Deputado Roberto Massafera e Professor Gilberto Chierice

 

O professor e cientista da USP de São Carlos Gilberto Chierice, criador da pílula do câncer, depôs nesta terça-feira, 20/03, na CPI da Fosfo, na Assembleia Legislativa. O relator, deputado Ricardo Madalena, esteve ausente, já que se recupera de uma cirurgia, mas enviou as perguntas ao presidente da CPI, deputado Roberto Massafera.

O relator quis saber sobre as questões envolvendo os testes da pílula enviadas ao professor Gilberto e não respondidas, segundo os depoimentos de alguns  profissionais do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo). O professor Gilberto foi categórico:  “Eu gostaria de dizer ao relator que eu nunca participei de nenhuma reunião do Icesp. Somente a primeira (reunião), que foi a apresentação (do protocolo) deles. Então isso de dizer que dei anuência pra isso ou para aquilo é um equívoco (deles)”.

Sobre a questão de que foi consultado sobre a dosagem da substância a ser ministrada aos pacientes, o professor afirmou que pediu ao Icesp que fosse realizada a farmacocinética (estudo que revela a dosagem e distribuição da substância no organismo), que acabou nunca foi feita.

Além do professor Gilberto, também falaram na CPI as doutoras Cristiane Rose Gomes e Sandra Gulminetti, que fizeram parte da equipe de auditores do teste da pílula no Icesp.

Ambas criticaram o fato do Icesp não fazer a farmacocinética e a falta de ácido graxo na alimentação dos pacientes. Segundo a doutora Sandra, a falta do ácido graxo na alimentação anula por completo os testes, já que, segundo ela, a fosfoetanolamina só apresentaria efeito juntamente com o ácido graxo, encontrado nas nozes, castanhas, amêndoas, azeite extra-virgem, Omega 3, abacate e outros. “A fosfo quando ingerida entra na corrente sanguínea e  vai até o fígado. Se lá não encontrar os ácidos graxos, ela não terá função alguma. Ela só tem função se acoplada aos ácidos graxos. Onde se tem, então, a formação da fosfo ativa.  Só daí ela terá penetração em todos os tumores.”

A doutora Cristiane afirmou ainda que a equipe de auditores, durante uma reunião, pediu que fosse acrescida na alimentação dos pacientes  ácidos graxos, e que o doutor Paulo Hoff, diretor geral do Icesp e coordenador dos testes da pílula do câncer, teria afirmado que pediria para a área de nutrição que inserisse na alimentação dos pacientes os ácidos graxos. Os auditores foram surpreendidos quando  receberam um relatório de que a alimentação passaria a contar também com pão com margarina. Segundo a doutora Cristiane, confundiram ácido graxo com gordura.

E sobre a dose que foi distribuída aos pacientes, a doutora Cristiane disse que “não se sabe de onde surgiu a ideia de realizar uma dose única. Dessa forma os pacientes nunca seriam beneficiados, pois deixa de ser uma dose e passa a ser uma sub-dose”.

A CPI da Fosfoetanolamina investiga se os procedimentos realizados pelo Icesp  com a substância seguiram o protocolo e as normas da Anvisa, quanto o governo de São Paulo empregou em recursos e se estes foram bem empregados.

 

PERFIL PROFESSOR GILBERTO

Possui graduação em Bacharelado e Licenciatura em Química pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Araraquara (1969), mestrado em Química (Físico-Química) pela Universidade de São Paulo (1973) e doutorado em Química (Química Analítica) [Sp-Capital] pela Universidade de São Paulo (1979).Fio professor titular-ms-6-RDIDP da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Química, com ênfase em Equilíbrio Químico, atuando principalmente nos seguintes temas: resina de mamona, óleo essencial, óleo essencial, thermal decomposition e resinas poliuretanas.

 

Dra. Cristiane

Dr. Sandra                                                                Sala da CPI – Auditório Teotônio Vilela

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *