Entrevista Jornal Debate: Errar pelo excesso é preferível a errar pela omissão, diz Ricardo Madalena
Ricardo Madalena era um estranho — pelo menos para algumas pessoas — na fila da vacina contra a Covid-19. Ele recebeu a primeira dose do imunizante em São Paulo e, enquanto esperava sua vez na fila, conversava com uma certa “Tatá” (só se lembra do primeiro nome) sobre a felicidade em ser vacinado.
A conversa estava descontraída até que, num certo ponto, ela perguntou a profissão do deputado, que respondeu ser um parlamentar na Assembleia Legislativa de São Paulo. A reação foi de surpresa, e rendeu até foto de “Tatá” com o parlamentar.
O relato é do próprio deputado, que conversou com o DEBATE na sexta-feira, 30, e detalhou os últimos acontecimentos na capital e em todo o Estado paulista.
Aos 56 anos e com domicílio eleitoral em Santa Cruz do Rio Pardo, Ricardo cumpre o segundo mandato na Alesp e, embora tenha apoiado o candidato Márcio França ao governo estadual, hoje já está em namoro com o PSDB de Doria — ele é líder da bancada do PL, partido de sustentação ao governo.
Apesar das divergências iniciais, o parlamentar diz que a gestão tucana tem tomado medidas importantes na retomada econômica e que o governo foi crucial no combate à pandemia da Covid-19.
Embora admita que exageros possam ter ocorrido com relação à restrição de atividades, Ricardo cita o ditado popular e diz que é preferível errar por exageros a ser omisso — como classifica a ação do governo federal, cujo mandatário tachou, no início, a Covid-19 como uma “gripezinha”.
O sr. teve uma agenda lotada nos últimos dias com autoridades do governo paulista. O que você observa como principais avanços no Estado?
Desde que votamos as reformas no ano passado, conseguimos viabilizar recursos que garantiram um caixa de aproximadamente R$ 20 bilhões ao Estado. De 3.850 leitos de UTI, fomos para quase 14 mil leitos. Isso é mais do que um país da Europa. Isso só foi adquirido graças aos recursos. Imagine se não tivéssemos feito a reforma — pela qual fomos muito criticados.
A previsão é de que o orçamento para este ano seja comprometido em R$ 10 bilhões. Antes da reforma, que suspendeu benefícios fiscais por dois anos, a cifra era muito maior. Hoje vejo que as medidas foram fundamentais para garantir investimentos como cesta solidária, recursos para infraestrutura, novas unidades do Poupatempo, entre outras coisas. É preciso pensar no futuro.
O sr. citou o Poupatempo. Como está o andamento para instalar a unidade em Santa Cruz?
Há um ofício em minha mesa solicitando a antiga delegacia, ao lado do fórum, para ser a sede da unidade. Outros prédios também foram cogitados por Santa Cruz, como a antiga escola de comércio [atual Casa do Empreendedor], mas não há nada definido. O benefício da antiga delegacia é que o prédio já pertence ao governo estadual. Acredito que o Poupatempo possa ser instalado até o final do ano.
Nós percebemos que a pandemia comprometeu o orçamento de vários estados. O sr. acredita que haverá dificuldade para a retomada da economia?
O Estado de São Paulo tem uma projeção de crescimento de 7,6% do PIB (Produto Interno Bruto). É o estado que mais cresce no Brasil, e o avanço anual equivale quase 100% do crescimento do País previsto para este ano. Não acho que teremos dificuldades – afinal, estamos fazendo nosso papel. Não só votando projetos importantes para a economia, mas também promovendo a vacinação, que inegavelmente é o mais essencial.
O País está dividido ante fatos revelados pela CPI no Senado e a condução do governo federal no que diz respeito à pandemia. Além disso, temos visto ataques constantes ao sistema da urna eletrônica. O sr. acredita que há riscos de uma ruptura institucional?
Dizem que uma mentira, se contada 100 vezes, se torna verdade. Vivemos uma situação delicada e não merecemos passar por isso. Se no começo da pandemia o governo federal tivesse tomado medidas efetivas contra a disseminação da doença, talvez estivéssemos conversando sem máscara e poderíamos ir aos estádios de futebol. E muitas vidas poderiam ter sido poupadas.
Os agentes públicos precisam ter responsabilidade. E nós não sabemos como serão as eleições do ano que vem. A Constituição garante que elas acontecerão, mas vejo que acontecimentos recentes são sérios e podem pôr em xeque o processo democrático.
Há dois focos de crítica com relação à condução da pandemia. A primeira, com relação ao governo federal, se dá por causa da negligência inicial com relação a vacinas e medidas restritivas. Mas há quem diga também que São Paulo exagerou em algumas restrições, como o comércio, por exemplo. Como o sr. avalia isso?
Eu prefiro pecar por excesso a pecar pela omissão. Era uma doença desconhecida e tínhamos que seguir a ciência — que sempre recomendou o isolamento social. Temos excelentes profissionais coordenando o enfrentamento à pandemia, como o dr. Medina, de Ipaussu, e acredito que acertamos ao seguir quem tem conhecimento sobre o assunto.
Em 2018 o sr. apoiou Márcio França, mas hoje é da base do governo Doria. Por outro lado, o ex-governador Geraldo Alckmin estuda sair do PSDB. Como estão as tratativas para 2022?
Espero que o Alckmin não saia do partido e aceite disputar uma vaga para o Senado. O PSDB, como tenho acompanhado, quer acolher o ex-governador, que já cumpriu quatro mandatos à frente de São Paulo. Mas precisamos dar chance para o novo. O Rodrigo Garcia, cotado para a disputa do governo estadual, é um ótimo nome.
Como está a relação do sr. com Santa Cruz e os municípios da região?
Temos atuado junto com todos eles. Ultimamente, é claro, a demanda se volta para a saúde, mas também trabalhamos para angariar investimentos em infraestrutura, por exemplo. O projeto do calçadão da Euclides é um deles.
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